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<p>Caro Portista,<br />
Escrevo-lhe esta carta antes de jogarmos a 30º final da Taça de Portugal da nossa história.<br />
Vou dizer muitas verdades nesta mensagem. <strong>Mas começo com uma grande mentira</strong>: o Benfica é o campeão nacional 2018/2019. A partir daqui começam os factos. Vamos a eles.<br />
Contas feitas, <strong>o FC Porto faz uma época de bom nível</strong>, não se podendo nunca dizer que se trata de uma grande temporada, pois no FC Porto o título nacional é sempre o objectivo número 1. Mas chegar à final da Taça da Liga, terminar a 2 pontos do 1º classificado no Campeonato, alcançar a final da Taça de Portugal e chegar aos quartos-de-final da Champions caindo às mãos do provável vencedor nunca poderá ser considerado uma má época, muito menos uma época para esquecer.<br />
Então porquê este sentimento de frustração, decepção e raiva que afecta muitos portistas? E porquê esta alegria desmedida e cheia de bazófia dos benfiquistas? Por uma razão muito simples: porque nem uns compreendem como perderam o título; nem outros compreendem como o ganharam.<br />
Posso até admitir ser verdade que os portistas confiaram em demasia nos 7 pontos de vantagem sobre o rival e se deixaram de algo forma adormecer, posto que as revelações do caso dos e-mails e a distância pontual e exibicional face ao Benfica de Rui Vitória não auguravam uma recuperação como aquela que foi protagonizada por Bruno Lage.<br />
Mas façamos agora um exercício curioso: <strong>como é possível que este Benfica, mesmo tendo sido treinado durante quase toda a primeira metade da temporada por um boneco chamado Rui Vitória, consegue ainda ir a tempo de ser campeão?</strong> A resposta mais lógica seria dizer que Lage é um treinador de eleição, uma espécie de novo-Mourinho, mas os factos desmentem essa teoria. Bruno Lage entrou e logo no segundo jogo perdeu a meia-final da Taça da Liga com o FC Porto. E é nesse momento que o campeonato vira definitivamente, quando Vieira se irrita e parte loiça toda, mandando Fábio Veríssimo para a jarra e garantindo que, como diria alguém, “<em>quem se mete com o SLB, leva”.</em> Depois dessa noite, nada mais foi igual no campeonato nacional.<br />
<strong>A partir dessa derrota e consequente afastamento da Taça da Liga, o passeio do SLB na liga nacional foi total</strong>, não fosse o empate caseiro diante do Belenenses, num dia em que Rubén Dias e Vlachodimos estavam em modo <em>kamikaze</em>. Não fosse esse dia e esses acontecimentos esdrúxulos e não é que o campeonato do Benfica teria sido 100% vitorioso? Estranho, não? Impossível?Nem por isso. Lembramo-nos certamente de campeões avassaladores, como Mourinho e AVB ou Jesualdo e VP. Mas Mourinho, mesmo em plena época de Apito Dourado, tem em sua defesa o facto da sua equipa ter ganho a Taça UEFA e a Liga dos Campeões em dois anos consecutivos que a afirmaram como a melhor equipa da Europa, enquanto que AVB mostrou também todo o poderio desse FC Porto na Liga Europa. Ou seja, estas equipas eram demolidoras tanto interna, como externamente. Já Jesualdo e VP apresentavam domínios internos e juntaram a isso participações consistentes nas provas europeias, sem alcançarem o tão almejado título. No entanto, a bota bateu sempre certo com a perdigota, por assim dizer.<br />
O caso deste SLB é diferente. E mais: não é de agora. Os últimos campeonatos do SLB, ao contrário dos do FC Porto, apresentam sempre esta dicotomia: <strong>domínio interno conjugado com campanhas europeias miseráveis e motivo de vergonha</strong>, sendo os famosos 0 pontos na fase de grupos o corolário máximo da incompetência benfiquista nas provas europeias, diante de “gigantes europeus” como o Basileia e o CSKA Moscovo. Tudo isto contrasta, desde logo, com as duas grandes campanhas de SC na Champions League, onde caiu sempre derrotado perante o finalista Liverpool.<br />
<strong>Mas então de onde vem esta desproporção verdadeiramente colossal entre campanhas nacionais e campanhas europeias?</strong> De onde vem este domínio caseiro na Taça da Liga e no Campeonato e esta incompetência contumaz na Europa? Como é possível que o “glorioso” Benfica seja eliminado de forma tão limpinha por esse tubarão chamado Eintracht Frankfurt?</p>
<p>Olhemos pois à estatística. Um olhar atento, que não vejo a comunicação social focar, é o campeonato verdadeiramente brilhante e colossal feito pelo SLB, que acaba a maratona com esmagadores <strong>87 pontos em 34 jornadas</strong>. Para termos uma noção, a incontestada Juventus alcança apenas mais 3 pontos (90), mas em 37 jornadas (ou seja, com mais 9 pontos em disputa). O PSG chega aos 91, também em 37 jogos. O City chega aos 98, mas em 38 jornadas. O poderoso Barcelona alcança os mesmos pontos que o SLB, mas com mais 4 jornadas em cima. Olhemos o próprio Bayern, líder sem rival na Alemanha, que em 34 jornadas tal como em Portugal, chega apenas aos 78 pontos, menos 10 que o SLB.<br />
Mas o que mais impressiona acima de tudo é a capacidade goleadora do SLB, que chega à incrível marca de <strong>103 golos</strong>, mais 13 por exemplo que o Barcelona de Messi, Coutinho, Suarez e Dembelé. Um número também bem acima dos 70 golos marcados pela Juventus de CR7, Mandzukic e Dybala. Acima inclusivamente da máquina City (95) de Sané, Sterling, Aguero, De Bruyne, Mahrez e Gabriel Jesus. E acima do Bayern (88) de Robben, Muller, Ribery e Lewandoswski.Um olhar atento perguntaria imediatamente: mas o que raio se passa em Portugal para uma equipa ser campeã com 87 pontos e 103 golos marcados e o segundo classificado ficar a uns meros 2 pontos, mas com menos 29 golos?Façamos pois uma comparação aceitável: fases de grupo da Champions<sup>*</sup>. Escolhamos três épocas consecutivas (17/18 e 18/19), para não levar a discussões sobre a valia dos grupos de cada um. O FC Porto consegue um total de <strong>37 pontos</strong> (11+10+16) e <strong>39 golos marcados</strong> (9+15+15); o SLB chega aos <strong>15 pontos</strong> (8+0+7) e a uns míseros <strong>16 golos marcados</strong> (10+0+6). Começam a perceber a inconsistência? O SLB apresenta menos de metade dos pontos do FC Porto e marca também menos de metade dos golos. Afinal de contas, o que se passa na Europa com o “grandioso” Benfica que varre os adversários nacionais com goleadas de mãos cheias?<br />
Tomemos como exemplo também os avançados do SLB**, em especial Seferovic, que termina a temporada com uns bonitos <strong>27 golos marcados</strong>, um número que é superior a todos os golos que marcou nas últimas 4 temporadas JUNTAS (125 jogos, 26 golos). Seferovic chega pela primeira vez na sua carreira a uma marca superior a 10 golos. Não lhe parece estranho, caro portista?Olhemos então para Jonas, que nos seus verdes anos de Valência acertou 51 vezes nas balizas contrárias em 156 partidas, marcando em 32% dos jogos. No SLB apresenta a fantástica contagem de 137 golos em 183 partidas: marca em 74% dos jogos. Parece incrível que, mesmo num ano onde Jonas se debateu com inúmeros problemas físicos nas costas, apresente um golo a cada 2 jogos. Incrível não é? Então porque é que um avançado que apresenta 15 golos em 31 partidas em 18/19 está prestes a terminar a carreira? Ou, ao invés, o que se passa com os centrais do nosso campeonato para não conseguirem deter um avançado de 35 anos com problemas de costas?<br />
A lista dos melhores marcadores do nosso campeonato é, também ela, intrigante, não tendo qualquer tipo de paralelo com nenhum outro campeonato europeu: dos 10 melhores marcadores, 4 são do SLB (Seferovic, Rafa, Felix e Pizzi) . O Barcelona coloca apenas 2 nesta rúbrica, o Real e Atlético 1 cada um; na Série A apenas o Nápoles coloca 2 homens na lista de melhores marcadores; na Alemanha o Borussia também consegue colocar 2. Na Europa, apenas o PSG se aproxima do Benfica com Mbappé, Cavani e Neymar (assumo que possam ser piores que Seferovic, Rafa e Felix…) nos 10 melhores marcadores.<br />
Há muitos vídeos a circular na internet que adensam as minhas suspeitas, mas qualquer olhar atento é capaz de descortinar os incríveis azares que os adversários do SLB enfrentam quando jogam contra o clube da águia. Podíamos começar por Fábio Cardoso (do Santa Clara, que tem vários azares no conjunto das 2 voltas) e terminar em Júnio Rocha e Borevkovic (Rio Ave), passando pelo Nacional de mãos cheias e pelo Braga (4º classificado, refira-se!) que alcança o incrível parcial de 10×3 com o SLB no conjunto das 2 voltas. Mas se recuarmos na temporada, iremos encontrar muitos mais casos deste género: escorregadelas, cortes na atmosfera, recepções desorientadas, passes ao nível da terceira divisão do Cazaquistão, inúmeros azares com consequências dramáticas.<br />
As minhas suspeitas não são infundadas nem nascem da minha cabeça, caro portista. A comunicação social vem publicitando, embora timidamente, as declarações da <strong>testemunha Cássio</strong>, jurando em tribunal que ele e os atletas Lyonn e Marcelo foram abordados por um tal de César Boaventura para perderem num jogo da sua equipa de então – Rio Ave – contra o SLB. César Boaventura esse que, segundo Paulo Futre, é grande amigo de LFV e presença assídua no centro de treino do Seixal. Estamos pois em sede do famoso <strong>JOGO DA MALA</strong>, que vem denegrindo e transformando o futebol português numa lixeira a céu aberto. As palavras de Coentrão no final da temporada causam interrogação. As declarações de Tomané dizendo que a manutenção do Tondela apenas se deve a alguns jogadores e não a todos também deviam alcançar mais destaque. A que é que Tomané se referia? E Coentrão, o que quereria dizer?<br />
E que dizer das <strong>declarações de Petit</strong> antes do jogo com o SLB, caro portista? Que dizer da abordagem típica dos treinadores portugueses (ao bom estilo de Pepa) quando defrontam o SLB, afirmando sem vergonhas que este não é o seu campeonato e que vai ser muito difícil conseguir o empate, por contraponto com as afirmações de raça e de ganas quando vão enfrentar o FC Porto, dizendo invariavelmente que é <em>um jogo onde vão dar tudo</em> e onde vão <em>lutar pelos 3 pontos</em>? Porquê tamanha diferença de abordagem aos jogos contra o SLB e contra o FC Porto?<br />
Face ao que atrás exponho, só posso concluir que o campeonato português regrediu 70 anos num curtíssimo espaço de tempo, sendo prova disso mesmo os cómicos 10×0 ao Nacional e os 6×2 ao Braga na Luz, verdadeiros expoentes máximos da facilidade que o SLB tem quando defronta os seus adversários, atingindo-se a total <strong>negação do desporto e competição profissionais</strong>. Voltamos, pois, ao tempo do amadorismo. Tudo isto contrasta, uma vez mais, com os adversários motivadíssimos e super-agressivos que o FC Porto enfrenta semana sim, semana sim, onde cada jogo ganho é uma batalha campal, terminando não raras vezes com adversários em lágrimas e fortemente desiludidos. Mas desiludidos porquê, caro portista? Não seria normal perder com o FC Porto que atinge os quartos-de-final da maior competição de clubes do mundo? Ou há algo mais por detrás destas reacções? Será que há alguma motivação extra que justifique tal disparidade exibicional?<br />
Se isto já não fosse suficientemente mau, temos os árbitros a ajudar à festa. Depois da ida de Veríssimo para a jarra (não deixa de ser cómico que um dos padres vá para a jarra…), nenhum senhor do apito se atreveu mais a incomodar o todo-poderoso SLB. Frederico Varandas disse e bem que depois da jornada 28 começou a falta coragem. Eu sou mais arrojado: <strong>depois da jornada 28 começou a faltar vergonha</strong>. Podia falar das incríveis actuações dos senhores de negro em Moreira de Cónegos, Braga, Feira e Vila do Conde, com golos em fora-de-jogo, golos anulados aos adversários, penaltys não assinalados ao SLB, etc. No final de um desses jogos, vimos inclusivamente Vítor Bruno (Feirense) a dizer que estava <em>“desiludido com este futebol”</em>. A pergunta que se impõe: mas está desiludido porquê? O que é que Vítor Bruno quer dizer?<br />
Dizendo isto, fico surpreendido quando ouço portistas dizer que temos culpas na forma como perdemos este campeonato. Mas então não é suposto isto ser uma <strong>competição profissional e saudável</strong> de 11 contra 11 onde é possível que uma equipa roube ocasionalmente pontos aos grandes? Ou alguém acha normal uma segunda volta imaculada como a do SLB? Começamos a entrar na negação do que é o <em>desporto</em> e a negligenciar a palavra <em>competição</em>. Talvez assim finalmente se perceba a facilidade que Renato Sanches tinha em galgar metros e marcar golos no campeonato nacional e a imensa dificuldade que apresenta por essa Europa fora.<br />
Para o FC Porto fica talvez a amargura da abordagem ao jogo com o SLB em casa, deixando Militão castigado no banco, Danilo no banco e apostando em Oliver e no inenarrável Adrian López. E talvez uma aposta pessoal excessiva do <em>Mister</em> na Taça da Liga (que se compreende, atendendo ao historia do clube neste troféu), competição que nasceu para ser o tubo de ensaio dos <em>padres</em> e dos <em>lucílios</em> deste país. E poderíamos ainda acrescentar os problemas na lateral-direita, que nasceu torta e nunca se endireitou. Por lá passaram desde a pré-época João Pedro, Janko, Maxi, Corona, Militão, Mbemba e Manafá. Demasiadas indecisões numa posição que se veio a revelar fulcral na luta pelo título, pois foi por lá que Seferovic carregou Manafá em falta e conseguiu o empate no jogo do Dragão. Fica também a impressão de que faltou uma real alternativa à lesão de Aboubakar, visto que Soares não tem categoria para ser o 9 que o Porto precisa nem Marega chega para todas as encomendas.<br />
Assumindo também os <strong>nossos erros</strong>, que existiram – não esquecer que não há treinadores nem equipas perfeita! – acredito fortemente que o portista que me lê não se deve deixar intoxicar pela opinião pública. Ao invés de se discutir os diferendos entre SC e as claques, devíamos ver os jornalistas focados no papel que César Boaventura tem no futebol português ou no porquê de Fábio Veríssimo ter ido para a jarra depois do jogo em Braga. A pergunta que deve ser feita: porque é que Veríssimo não ficou definitivamente na jarra depois do assalto que fez ao FC Porto no jogo Feirense x FC Porto da época passada, obrigando Brahimi a berrar a plenos pulmões <em>“nós vamos ganhar”</em>? Porque é que LFV se queixou um dia que Veríssimo não apitava os jogos do SLB? Porque é que um clube tem poder para colocar árbitros na jarra e outros vêm os seus protestos cair em saco roto? Porque é que o senhor director da APAF Luciano Gonçalves – o tal que alegadamente pedia ao SLB 50 bilhetes mais baratos para oferecer ao Centro Recreativo da Batalha – se preocupa com a tarja dos SD e não se foca na prestação dos seus associados nas últimas jornadas do campeonato? Porque é que não há ninguém a discutir os escandalosos “erros” do VAR? Porquê estas incoerências por parte dos organismos que regem o futebol português? Porque é que aquele famoso árbitro da Madeira (Marco Ferreira) foi ao Estádio da Luz pedir uma audiência com Vieira para perceber o que lhe tinha acontecido com a nota? Mas afinal de contas, qual é o verdadeiro poder de Vieira na nossa arbitragem? Porque é que Paulo Gonçalves se encontra a dirigir dossiers de contratações do SLB, mas foi julgado pela Juíza Ana Peres como tendo actuado sem conhecimento e instruções do SLB? Mas que país é este onde tudo o que parece ser, acaba por não o ser? Mas afinal de contas onde para a comunicação social isenta e idónea deste país?<br />
Caros portistas, sejamos claros: <strong>o futebol português é uma lixeira a céu aberto, que alimenta várias bocas a notas de euro em função dos interesses do momento</strong>. Nunca como hoje, o futebol português esteve tão manietado, tão comprado, tão desprovido de competição na verdadeira acepção da palavra. Nunca como agora vimos treinadores darem-se como derrotados antes das partidas começarem. Nunca como agora vimos tantos erros de centrais e laterais das equipas pequenas contra os grandes. Nunca como agora vimos tantos clubes comprados e arregimentados em favor de um só clube. Nunca como agora vimos tantas filiais e tantos satélites a jogar na principal divisão do campeonato? Nunca como agora vimos tantas missas rezadas por padres e sacristães. Por isso, volto ao princípio: <strong>o Benfica campeão nacional 2018/2019 é uma farsa e uma mentira completa</strong>.<br />
Vivo em Lisboa há alguns anos e, por isso, tenho um conhecimento exacto da forma como pensa o nosso rival. Sérgio Conceição é perseguido pela comunicação social não por ser “javardo” como lhe chamou um ex-embaixador português, mas sim por ter <strong>voltado a colocar as nossas equipas a jogar à Porto</strong>, a ganhar fases de grupos da Champions, a entrar em qualquer campo, seja onde for, para ganhar. Com SC vemos todo e qualquer jogador a sujar os calções, a comer a relva, a lutar pela vitória até ao apito final, vemos uma equipa unida e com espírito, aguerrida em todas as fases do jogo, vemos um FC Porto focado em todas as frentes, onde a palavra desistir não tem lugar no dicionário. E isso é a marca do FC Porto de Pedroto/Pinto da Costa: uma equipa de faca nos dentes, do <em>até os comemos</em>, que sabe sofrer quando tem que sofrer e que luta os 90 minutos pela vitória em qualquer partida. E é isso que tanto incomoda o nosso rival, ver o FC Porto de novo com a raça <em>pedrotiana</em>, de novo sem medo de atravessar a Ponte Luiz I. E esse <strong><em>Porto à Porto</em></strong> é o que sempre causou inveja em Lisboa. Afinal de contas como é que aqueles parolos lá do Norte conseguem ganhar tantos títulos e tanta coisa lá fora sem a ajuda do poder central? O que é que eles têm que nós não temos? No fundo, o que é indisfarçável é o medo aterrador que têm do FC Porto, dos seus jogadores, do seu Presidente e das suas gentes. Um medo e uma inveja indisfarçáveis e que explicam muito do país que somos.<br />
Mas para eles tenho uma má notícia: Sérgio Conceição fica no FC Porto.<br />
Estamos já perto do fim, caro portista.<br />
Em <em>Game of Thrones</em>, as primeiras temporadas ocorrem sob a expressão em surdina <em>“the winter is coming”</em>. No futebol português, o longo Inverno já chegou e a longa noite em que o luso-futebol está mergulhado alcança tudo e todos, desde clubes-satélites a clubes com ligações a empresários amigos, passando por jogadores emprestados, ex-jogadores que viraram treinadores, chegando até às relações indecorosas entre Salvador e LFV, sócios comparsas em negócios de construção civil. No meio desta salgalhada alimentada a sacos azuis, sobram apenas uns irredutíveis gauleses, que não se deixam subjugar. Situam-se no norte litoral, são daqueles do antes quebrar que torcer e recusam-se a prestar vassalagem ao centralismo que percorre o país de lés a lés. Nessa cidade, apesar de fria e chuvosa por vezes, o longo inverno não chegou. Aí o sol ainda brilha. Um dia, uma amiga espanhola resumiu da melhor forma o que lhe pareceu essa cidade: é como se tivesse estado mergulhada debaixo de água durante muitos séculos e um dia alguém pegou nela e a puxou para cima. Desde aí que dou por mim sentado do lado de Gaia a imaginar uma mão a pegar numa massa de terra colocada debaixo do rio e a puxar um conjunto de casas e edifícios de granito para a tona, que quando emerge surge ainda a escorrer água. O sol brilha. As gotas escorrem e estão prestes a secar. É a cidade dos gauleses. Tem 5 letras. Chamam-lhe <strong>Porto</strong>.<br />
<strong>Rodrigo de Almada Martins</strong>*Dados europeus retirados do site oficial da UEFA;**Dados nacionais retirados do site ZeroZero.</p>
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<p><strong>Nota final:escrevi</strong> no BiBó PoRtO carago!!, a convite do seu mentor, de Agosto de 2012 <strong>até 24 de Maio de 2019</strong>. São quase 7 anos a discorrer sobre o universo azul e branco. Deixo 149 crónicas, que acabam por ser o espelho do dia-a-dia do clube, destes últimos 7 anos de vitórias e derrotas, mas sobretudo do que significa ser portista e portuense. Tudo o que vi, tudo o que vivi com o FC Porto acaba por estar aqui vertido nestas páginas. Fui imensamente feliz ao fazê-lo. Como diz o filme: por ti fá-lo-ia 1000 vezes. <strong>Obrigado a todos</strong>.</p>
<p>Texto em: <a href="https://bibo-porto-carago.blogspot.com/2019/05/carta-aberta-e-de-abre-olhos-todos-os.html?m=1">Bibo Porto</a>
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Carta Aberta a todos os Portistas
