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<p>Na base das buscas que a PSP efetuou este domingo na Porto Comercial, Loja do Associado e domiciliárias, denominada operação &#8216;Bilhete Dourado&#8217;, está a investigação em que o FC Porto terá sido lesado em milhares de euros num esquema ilegal de venda de bilhetes que decorreria há vários anos. Após a Operação Pretoriano, terá, segundo o Ministério Público, sido a filha de Fernando Madureira o elemento da família que tem estado a vender bilhetes para ingressos de jogos dos dragões junto do Estádio do Dragão, perto da sede da claque Super Dragões, num processo em que terá recebido o apoio dos avós &#8212; «facilitadores e recuo na guarda dos proventos da atividade delituosa» segundo o MP, pais de Sandra Madureira, também ela alvo de buscas, na manhã deste domingo.</p>
<p>Os sogros de Fernando Madureira também são suspeitos de auxiliar a família no branqueamento dos lucros da venda ilegal de bilhetes, que são cedidos pelo FC Porto. As autoridades viram o dinheiro ser retirado do local onde os bilhetes são vendidos por fases e com auxílio de outras pessoas.</p>
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<p>Os Super Dragões enviariam os pedidos de bilhetes para a Porto Comercial e levantavam-nos depois através de funcionários e órgãos dirigentes do clube.</p>
<p>Os investigadores acreditam que o alegado conluio entre funcionários do clube &#8211; como Cátia Guedes (coordenadora da loja do associado) e Fernando Saúl (Oficial de Ligação aos Adeptos, que deixou de ser speaker do estádio após ter sido detido na Operação Pretoriano) &#8211; permitia que a família Madureira ficasse com o dinheiro dos bilhetes e não o devolvesse ao clube.</p>
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<p>A vigilância que a PSP tem estado a fazer nos últimos meses apurou que, além dos bilhetes para a zona dos Super Dragões, também há outros com designações específicas para funcionários do clube que têm ido parar ao mercado negro.</p>
<p>A investigação refere ainda que todo este alegado esquema seria do conhecimento do clube, funcionando como uma espécie de moeda de troca pelo apoio que a claque dava à equipa. Os sinais exteriores de riqueza que alguns dos arguidos ostentavam &#8211; como a família Madureira &#8211; serviram de alerta para as autoridades.</p>
<p>As buscas deste domingo foram feitas às instalações do Dragão e em mais de uma dúzia de residências, pertencentes aos suspeitos de venda ilegal de bilhetes, resultando em mais de dez pessoas que foram constituídas arguidas e milhares de bilhetes foram apreendidos, bem como quantias monetárias ainda por apurar.</p>
<p>A Divisão de Investigação Criminal da PSP do Porto desencadeou uma grande operação nos concelhos do Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos, denominada «Bilhete Dourado», relacionada com a Operação Pretoriano, que levou, em janeiro, à detenção do ex-líder dos Super Dragões, Fernando Madureira. As diligências deste domingo, que começaram às 7 horas, visaram o cumprimento de 14 mandados de busca domiciliária e quatro não domiciliária.</p>
<p>O protocolo estabelecido entre o FC Porto e os Super Dragões enquadra a relação entre a SAD e a claque, nomeadamente em parâmetros financeiros. E é precisamente os termos do documento, sob a égide da Autoridade de prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD). Muitos bilhetes sairiam do clube através da Porto Comercial, com a indicação que se destinava a atletas, convidados e casas do FC Porto que não existem. Eram depois entregues aos Super Dragões para serem transacionados. Através de um um grupo de WhatsApp intitulado &#8216;SD Reserva&#8217; através do qual os elementos dos Super Dragões pediam os bilhetes que depois venderiam a preços muito mais altos. Algumas casas do FC Porto fictícias funcionavam só para terem bilhetes.</p>
<p>Terão sido efetuados relatórios das autoridades nos jogos com o Arsenal, da primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, com o V. Guimarães, da segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal, com o Benfica, o Vizela, o Famalicão e o Sporting, para o campeonato. As imagens recolhidas nessas operações de vigilância foram anexadas aos autos e aumentaram as suspeitas do MP de que Fernando Madureira e Sandra Madureira terão retirado ilícitos resultantes da venda de ingressos dos dragões. Além disso, levou também a que fossem identificados outros indivíduos suspeitos alegadamente envolvidos nessa prática.
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Revelado como alegadamente funcionava o esquema da venda ilegal de bilhetes do FC Porto
